Dedilho as teclas da vida como se fossem flores de uma manha envelhecida. Imagino árvores de pedra e pessoas de alma faminta.
Ouço as trombetas do apocalipse ... a psique ensina contorno de várias trilhas. O pré estabelecido entorna o leite de nossos filhos, levando-nos ao desespero, tentando-nos com o livre fim de um ser eterno.
Possuímo-nos de rezas, das orações sem fim. Adoramos um deus sem rosto, que com a simples onipotência de seu esboço controla tudo e a todos. Tolos seres sem pensamento, entreguem suas cabeças como se fossem ovelhas.
Centelhas faiscam meus elementos, sento-me diante um altar tentando imaginar o que por detrás ... por detrás dos sacramentos divinos, por detrás de palavras antigas que tomam forma nos sonhos de vários mortais.
Por outro instante me vejo diante uma fila de banco. Preparo-me para sacar uns poucos réis que os reis inventaram para as massas subjugar.
quarta-feira, 25 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
sem título
Do pouco sábio que sou percebo que não sei viver, que deixei em algum lado um retrato de meu passado, o marco de meus passos, espaço de campos vastos.
Nos tantos cantos do mundo procuro o vulto perdido, canto a música de meus ouvidos, duvido dos tolos bandidos.
Entrei em ocultos túmulos de deuses, vasculho a fundo enigmas dos seres, dos meses que circundam os labirintos da morte, os tantos signos da sorte; em portas de puro marfim penetro em templos de sagrados séculos, calados tetos escondem mistérios de infinitos elos, crimes paralelos.
Fui engolido por armadilhas feitas por inimigos, surgindo ileso diante de olhos surpreso; tentaram em vão me atingir com golpes ligeiros, agressões quase certeiras.
Em algum escrito tive as respostas ao meu pessimismo, ao entreguismo de nada querer fazer, de simplesmente deixar de ouvir a voz de meus sentimentos.
31.dez.86
Nos tantos cantos do mundo procuro o vulto perdido, canto a música de meus ouvidos, duvido dos tolos bandidos.
Entrei em ocultos túmulos de deuses, vasculho a fundo enigmas dos seres, dos meses que circundam os labirintos da morte, os tantos signos da sorte; em portas de puro marfim penetro em templos de sagrados séculos, calados tetos escondem mistérios de infinitos elos, crimes paralelos.
Fui engolido por armadilhas feitas por inimigos, surgindo ileso diante de olhos surpreso; tentaram em vão me atingir com golpes ligeiros, agressões quase certeiras.
Em algum escrito tive as respostas ao meu pessimismo, ao entreguismo de nada querer fazer, de simplesmente deixar de ouvir a voz de meus sentimentos.
31.dez.86
quinta-feira, 19 de março de 2009
Mentir
Meus olhos estão cansados, já não mais enxergo o outro lado; já não espero ser eterno. Minha mente congelou-se, meus gritos ninguém mais ouve ... o que houve? O que aconteceu com a ternura? Foi ela vencida pela amargura, ou estou só no meio da rua?
Lua, brancura, loucura! Vida estúpida a afogar minhas procuras, minhas tenras aventuras. Vejo-me diante de paredes sem portas, ordas inimigas tramam a minha derrota, mas estas não estarão presentes quando da minha vitória; quando eu finalmente vencer a glória. Não tenho trajetória, tão pouco uma história, mas gabo-me por ter um pouco de memória.
A sua hora, a nossa intensa hora.
Mentir! Mentir! Mentir! Fugir da verdade não faz ninguém sorrir, só faz o mundo triste sentir.
Largar os anos, esquecer os planos, mudar a direção da nave à deriva, repartir os ganhos com todos os humanos, se iludir com os sonhos; depois de tudo extirpar o mal que habita os homos.
Somos tolos, somos povos; somos ovulos. Temos pouco a apreender e manos ainda a ganhar, palmas diante um altar.
oct.30.90
Lua, brancura, loucura! Vida estúpida a afogar minhas procuras, minhas tenras aventuras. Vejo-me diante de paredes sem portas, ordas inimigas tramam a minha derrota, mas estas não estarão presentes quando da minha vitória; quando eu finalmente vencer a glória. Não tenho trajetória, tão pouco uma história, mas gabo-me por ter um pouco de memória.
A sua hora, a nossa intensa hora.
Mentir! Mentir! Mentir! Fugir da verdade não faz ninguém sorrir, só faz o mundo triste sentir.
Largar os anos, esquecer os planos, mudar a direção da nave à deriva, repartir os ganhos com todos os humanos, se iludir com os sonhos; depois de tudo extirpar o mal que habita os homos.
Somos tolos, somos povos; somos ovulos. Temos pouco a apreender e manos ainda a ganhar, palmas diante um altar.
oct.30.90
Nunca mais!
Assumo um ar de bravo, grito a todo pulmão tudo o que não é necessário, me finjo de otário. Sento no alpendre vazio mirando um mar imaginário, um lago, um estuário.
Velejo em um barco sem velas, rumando a um abismo sincero; crio alegrias e tristezas nas pontas de uma esfera, nas guerras internas ... garras em minha matéria.
O alvoroço se espalha, o calabouço se espalha; espelham a angústia, a tristeza ... a vida presa nas palavras avessas; acesas.
Rio de mim mesmo quando olho meus tornozelos, meus desajeitos ... defeitos. Volto a recontar-me uma história, uma pobre escola carregada em uma sacola. A hora ... a hora passa sem deixar vestígios, sem os medos do destino.
O dia ... o dia arregaça as suas mangas no labutar sem sentido, no lutar por um pouco de grana; ao acordar me deito na grama. Dramas em um sisudo amanhecer, esqueço das coisas elementares e vejo páginas devorarem imagens, paisagens, felicidades.
As igualdades são utopias falidas, feridas que nunca cicatrizam; que no tempo da noite ironizam os esquemas sociais ... dilemas que nos fazem tanto mal.
Isso tudo é real, é realmente real. Pode não ser natural, mas o homem à tanto abandonou a si mesmo, que um simples adereço vale mais que as sombras esquecidas no cais ... nunca mais!
dec.07.90
Velejo em um barco sem velas, rumando a um abismo sincero; crio alegrias e tristezas nas pontas de uma esfera, nas guerras internas ... garras em minha matéria.
O alvoroço se espalha, o calabouço se espalha; espelham a angústia, a tristeza ... a vida presa nas palavras avessas; acesas.
Rio de mim mesmo quando olho meus tornozelos, meus desajeitos ... defeitos. Volto a recontar-me uma história, uma pobre escola carregada em uma sacola. A hora ... a hora passa sem deixar vestígios, sem os medos do destino.
O dia ... o dia arregaça as suas mangas no labutar sem sentido, no lutar por um pouco de grana; ao acordar me deito na grama. Dramas em um sisudo amanhecer, esqueço das coisas elementares e vejo páginas devorarem imagens, paisagens, felicidades.
As igualdades são utopias falidas, feridas que nunca cicatrizam; que no tempo da noite ironizam os esquemas sociais ... dilemas que nos fazem tanto mal.
Isso tudo é real, é realmente real. Pode não ser natural, mas o homem à tanto abandonou a si mesmo, que um simples adereço vale mais que as sombras esquecidas no cais ... nunca mais!
dec.07.90
Talvez exista a paz.
Talvez exista a paz, em algum lugar ... talvez exista a paz.
Atravessam os anos; todos falando.
Olhamos os campos; devastados campos.
Atravessamos os campos; devastados falando.
A tempestade enegrece a cidade, cai a chuva pesada inundando pobres moradas ... minha namorada ficou nua em uma qualquer estrada.
Para onde iremos? A quem procuraremos?
O sol se esconde diante de tantas insanidades, foge ele da verdade, da maldade ... essa nossa carruagem. Velozes estamos; rumando para a eternidade.
Nos faz falta a coragem de exigir a liberdade, de querer sem temer que estas regras se tornem leis:
Que o judiciário seja justo, que o legislativo seja o legislador e que o executivo seja o executor. A tudo isso soma-se a pureza, única forma de alcançar-mos a grandeza.
Abaixo as teses economicas, pois estas só causam a fome cronica. Lucros, lucros e mais lucros, somente isso importa aos homens mudos, aqueles que nunca aparecem por estarem ocupados à conjugar dois verbos: Eu enriqueço e tu empobreces.
feb.18.91
Atravessam os anos; todos falando.
Olhamos os campos; devastados campos.
Atravessamos os campos; devastados falando.
A tempestade enegrece a cidade, cai a chuva pesada inundando pobres moradas ... minha namorada ficou nua em uma qualquer estrada.
Para onde iremos? A quem procuraremos?
O sol se esconde diante de tantas insanidades, foge ele da verdade, da maldade ... essa nossa carruagem. Velozes estamos; rumando para a eternidade.
Nos faz falta a coragem de exigir a liberdade, de querer sem temer que estas regras se tornem leis:
Que o judiciário seja justo, que o legislativo seja o legislador e que o executivo seja o executor. A tudo isso soma-se a pureza, única forma de alcançar-mos a grandeza.
Abaixo as teses economicas, pois estas só causam a fome cronica. Lucros, lucros e mais lucros, somente isso importa aos homens mudos, aqueles que nunca aparecem por estarem ocupados à conjugar dois verbos: Eu enriqueço e tu empobreces.
feb.18.91
Olhos vendados, gritos amordaçados.
Me disseram que os meus olhos estavam vendados e meus gritos amordaçados. Não dei bola, não me importei nem um pouco com estes fatos, pois me sinto um escravo.
Serviçal de um senhor feudal andando de bicicleta sem tocar os pedais ... peidais na sala fechada, inalais o podre odor ... exalais o fedor de teu corpo ... o torpor lancará o seu sopro.
Esgoto, deposto, um posto de fronteira beira a curva do pensamento, os loucos detentos se escondem pelos becos de cimento. Uma cidade de verdade, uma cilada em meio a lápides.
Lápis de um número qualquer a desenhar um esboço de aluguel; um traje, um bordel. Todos se vestem à rigor para irem aos céus ... os réus, os reis sedentos de sofrimento querem o teu sangue a todo momento ... são vampiros, quem sabe até detritos.
Atritos e mais atritos povoam as praças e os patibulos. O carrasco ergue a navalha e a leva na direção de tuas palavras, decepando as armas de tua batalha, extirpando o suposto mal de tua raça.
A multidão silenciosa busca o brilho de uma rosa enquanto a roda de ferro esmaga os seus cerebros.
feb.19.91
Serviçal de um senhor feudal andando de bicicleta sem tocar os pedais ... peidais na sala fechada, inalais o podre odor ... exalais o fedor de teu corpo ... o torpor lancará o seu sopro.
Esgoto, deposto, um posto de fronteira beira a curva do pensamento, os loucos detentos se escondem pelos becos de cimento. Uma cidade de verdade, uma cilada em meio a lápides.
Lápis de um número qualquer a desenhar um esboço de aluguel; um traje, um bordel. Todos se vestem à rigor para irem aos céus ... os réus, os reis sedentos de sofrimento querem o teu sangue a todo momento ... são vampiros, quem sabe até detritos.
Atritos e mais atritos povoam as praças e os patibulos. O carrasco ergue a navalha e a leva na direção de tuas palavras, decepando as armas de tua batalha, extirpando o suposto mal de tua raça.
A multidão silenciosa busca o brilho de uma rosa enquanto a roda de ferro esmaga os seus cerebros.
feb.19.91
Entardecer
Não serás morto pelos desejos de outros seres. Caminharás por caminhos tortos por tua própria incoerência.
A paz não se traduz nas palavras dos generais. Explodem as bombas formando crateras hediondas aonde serão enterrados os dilacerados soldados, os esfomeados recrutas levados ao sofrimento.
Horizonte extremo banhado em sangue e lamentos; os terrenos não sabem do mal e tão pouco do bem; querem a vida e para isso se ocupam diante o prazer da morte.
Uma corte em um reino vizinho, reúne-se em volta do ópio daninho. Contam piadas e dão suas risadas, depois saem por aí definindo o destino dos povos.
O equilíbrio do planeta se encontra em completa perda, o peso da decadência surge feroz rompendo as amarras, detonando as palavras. Por isso surgirão as várias medidas, os vários pesos que serão usados para o seu bel proveito.
Me aproveito de uma brecha no tempo e sigo por uma trilha que não me leva a um templo, por onde caminharei contente rumo a um doce entardecer.
mar.03.91
A paz não se traduz nas palavras dos generais. Explodem as bombas formando crateras hediondas aonde serão enterrados os dilacerados soldados, os esfomeados recrutas levados ao sofrimento.
Horizonte extremo banhado em sangue e lamentos; os terrenos não sabem do mal e tão pouco do bem; querem a vida e para isso se ocupam diante o prazer da morte.
Uma corte em um reino vizinho, reúne-se em volta do ópio daninho. Contam piadas e dão suas risadas, depois saem por aí definindo o destino dos povos.
O equilíbrio do planeta se encontra em completa perda, o peso da decadência surge feroz rompendo as amarras, detonando as palavras. Por isso surgirão as várias medidas, os vários pesos que serão usados para o seu bel proveito.
Me aproveito de uma brecha no tempo e sigo por uma trilha que não me leva a um templo, por onde caminharei contente rumo a um doce entardecer.
mar.03.91
Que belo lugar!
Não encontrei espaço por entre os deuses de coração de aço ... decoração feita de aço, um espaço, um orgasmo. Saltei da órbita de um planeta frio, um rio sem margens de qual lembrança me da calafrios.
Fito com orgulho o meu chapéu de bruxo, um luxo a qual me dou por excluso. Incluo na ata da reunião que todos vão ... vão de mal a pior. Que a luz a cada dia fica mais fraca, que muitos se vão para a França e outros se perdem na busca da esperança.
A procura do cálice sagrado, encontrei muito sangue derramado procedente de seres que não acreditaram em sua pouca sorte. A morte abre suas asas diante o atento olhar de uma faminta águia; esta ave de rapina assemelha-se às muralhas da vida.
Em poucos instantes veremos a nossa frente o concreto e o cimento, impedindo o nosso caminhar junto ao vento ... um convento, um sacramento; labirinto sem nexo nos expondo ao complexo.
Teremos medo da chuva, pois ela não somente inundará como também furará. Estaremos com receio do sol pois este além de bronzear irá nos queimar e então pararemos de respirar, pois o ar nos ameaçará de sufocar. Que belo lugar!
mar.06.91
Fito com orgulho o meu chapéu de bruxo, um luxo a qual me dou por excluso. Incluo na ata da reunião que todos vão ... vão de mal a pior. Que a luz a cada dia fica mais fraca, que muitos se vão para a França e outros se perdem na busca da esperança.
A procura do cálice sagrado, encontrei muito sangue derramado procedente de seres que não acreditaram em sua pouca sorte. A morte abre suas asas diante o atento olhar de uma faminta águia; esta ave de rapina assemelha-se às muralhas da vida.
Em poucos instantes veremos a nossa frente o concreto e o cimento, impedindo o nosso caminhar junto ao vento ... um convento, um sacramento; labirinto sem nexo nos expondo ao complexo.
Teremos medo da chuva, pois ela não somente inundará como também furará. Estaremos com receio do sol pois este além de bronzear irá nos queimar e então pararemos de respirar, pois o ar nos ameaçará de sufocar. Que belo lugar!
mar.06.91
Enchente.
Despejo os lastros por sobre a murada da cidade, surge a imagem de nossa fragilidade. Enquanto isso a água invade, transborda os limites da tolerância, traz em seu meio pestes e outras doenças.
O cidadão perde a sua morada, ganhando em seu lugar um afluente de lama aguada. Móveis, roupas e outros afins, se vão boiando pela correnteza ... pela avareza da nobreza.
A culpa é das chuvas, das fortes chuvas que resolveram cair ... trair a inoperância dos governantes, dos farsantes eleitos pelos que padecem em seus leitos.
O voto útil torneou-se inútil, pois as balas daquele fuzil erraram a fera e foram cravar-se em várias favelas. Acendem velas para clarear as trevas, pobre luz a lutar uma perdida guerra.
Ferida não exposta à visão, fratura imposta. A pobreza não tem certeza, a riqueza se faz de dona de nossas cabeças. Como gado a caminho do matadouro, rumamos em nossa ignorância para a total submissão. Vai a massa flácida escorrendo pelo ralo das ambições, se vai a massa falida mamar nas tetas da escravidão.
Um país sem berço, um país que insiste em rezar o terço ... um quarto de despejo .... um quinto dos infernos ... um sexto sem sentido!
Feb.26.91
O cidadão perde a sua morada, ganhando em seu lugar um afluente de lama aguada. Móveis, roupas e outros afins, se vão boiando pela correnteza ... pela avareza da nobreza.
A culpa é das chuvas, das fortes chuvas que resolveram cair ... trair a inoperância dos governantes, dos farsantes eleitos pelos que padecem em seus leitos.
O voto útil torneou-se inútil, pois as balas daquele fuzil erraram a fera e foram cravar-se em várias favelas. Acendem velas para clarear as trevas, pobre luz a lutar uma perdida guerra.
Ferida não exposta à visão, fratura imposta. A pobreza não tem certeza, a riqueza se faz de dona de nossas cabeças. Como gado a caminho do matadouro, rumamos em nossa ignorância para a total submissão. Vai a massa flácida escorrendo pelo ralo das ambições, se vai a massa falida mamar nas tetas da escravidão.
Um país sem berço, um país que insiste em rezar o terço ... um quarto de despejo .... um quinto dos infernos ... um sexto sem sentido!
Feb.26.91
Não é o mundo!
A solidão é como uma pétala de flor do deserto,
um orvalho incerto,
um olhar ...
apenas um olhar eu quero!
Me desespero,
pois teus olhos não mais enxergo;
meu ego se dilacerou,
mas mesmo assim ainda te espero,
te quero.
Sei que não te conheço,
muito menos sei qual é o teu jeito.
Mas uma lembrança insistente,
faz com que voce sempre esteja presente.
As contrariedades são amenidades,
as amizades se desfazem como os raios de sol,
são como vampiros que tem na noite a única liberdade.
Persigo o dia tanto quanto a noite,
transmito minha energia para além das cortinas da vida.
Como uma alma a gritar pelas esquinas,
como uma calma a desfazer a agonia;
finjo que ainda tenho vida,
minto a mim mesmo todos os dias,
me olho no espelho e enxergo um mundo pelo avesso ...
um tropeço
e mais uma vez entorpeço,
me esqueço que de fato nada vale a não ser qual é o preço.
Não me ofereço
e mesmo assim todos querem minha cabeça.
Estou meio confuso,
quem sabe um dia eu mudo,
mas isso não é tudo ...
não é o mundo!
um orvalho incerto,
um olhar ...
apenas um olhar eu quero!
Me desespero,
pois teus olhos não mais enxergo;
meu ego se dilacerou,
mas mesmo assim ainda te espero,
te quero.
Sei que não te conheço,
muito menos sei qual é o teu jeito.
Mas uma lembrança insistente,
faz com que voce sempre esteja presente.
As contrariedades são amenidades,
as amizades se desfazem como os raios de sol,
são como vampiros que tem na noite a única liberdade.
Persigo o dia tanto quanto a noite,
transmito minha energia para além das cortinas da vida.
Como uma alma a gritar pelas esquinas,
como uma calma a desfazer a agonia;
finjo que ainda tenho vida,
minto a mim mesmo todos os dias,
me olho no espelho e enxergo um mundo pelo avesso ...
um tropeço
e mais uma vez entorpeço,
me esqueço que de fato nada vale a não ser qual é o preço.
Não me ofereço
e mesmo assim todos querem minha cabeça.
Estou meio confuso,
quem sabe um dia eu mudo,
mas isso não é tudo ...
não é o mundo!
no title!!!!
Vejam quantas grades existem ao nosso lado, estamos presos estando em plena liberdade; sentindo o peso de toda esta sociedade ... uma cidade, idade, puberdade.
Gritos sufocados velejam por este mar de desigualdades, pela lama da maldade ... trama de fidelidade.
Deixando os dades para alguma fraternidade, invoco as pessoas sem senso comum à olharem a sua volta para verificar onde esconderam a verdade.
Sim a verdade! Pois ao contrário do que dizem; a mentira não tem pernas curtas, isto sim, tem pernas longínquas e seculares, abraçando a nós por toda uma eternidade ... realidade.
Letras de um jornal, palavras de um ancestral. Incesto passado de pai para filho desde os primórdios da escrita. Um tempo passado, um falso rastro. Um rosto desesperado, um ser desfigurado.
São muitos os mandantes de nenhum crime, mais ainda são as vitimas deste mesmo delito. Somos nós os réus, juízes e jurados que condenamos a nós mesmos.
Um livro sagrado, segredo não revelado. Um abismo bem abaixo por acaso, um caso sem solução, um vagão em rota de colisão, míssil disparado pelo simples aperto de botão, centenas morrendo então.
Centelhas de um fogo pagão, chamas de um coração. A terra, esta doce esfera adoece pelas mãos dos seus habitantes, destes seres ultrajantes que também destroem o mar, o ar, ou qualquer outro lugar.
Sinto que o frio está por chegar!
ene.02/91
Ausente.
Tolamente me fiz ausente dos presentes. Fingi que não era comigo, que não pertencia à aquela tribo. Todos me olharam com um olhar assustado e murmuraram algo não decifrável. Era decerto um dialeto esquecido, desses no tempo perdido, mas pude ver em suas fisionomias a atonicidade exposta a luz do dia ... na fria e melancólica luz daquele dia.
Tentaram me dar dinheiros para que eu me fizesse um deles. Não aceitei! Declararam-me rei pelos dinheiros que não aceitei. Disse-lhes que a beleza da liberdade era mais forte que a tristeza daquela cidade.
Então pedras reclamaram, lustres balançaram, janelas racharam. O maciço ouro tornou-se opaco, um vácuo criado em um instante passado desmoronou os alicerces desgastados.
Vultos corriam em impensada agonia, lajes caiam sobre ricas especiarias, as ironias desapareciam e as chamas consumiam, engoliam o que restava de bom, assim como todo mal daquela ilha.
Abriu-se a terra como uma cratera sem fim, fluindo desta elementos vitais ... vitrais moviam-se alternadamente, murais de imagens sensoriais clamavam por paz; mortais procuram o cais.
Rolou uma enorme rocha por sobre a face da terra, surgiu a sombra do abutre ilustre ... embuste!
Nada restou daquela podre vida. As avenidas em sangue jaziam, as moradias de ricas famílias já não mais existiam. A riqueza foi exposta à pobreza e o humano tornou-se parte da natureza.
Tentaram me dar dinheiros para que eu me fizesse um deles. Não aceitei! Declararam-me rei pelos dinheiros que não aceitei. Disse-lhes que a beleza da liberdade era mais forte que a tristeza daquela cidade.
Então pedras reclamaram, lustres balançaram, janelas racharam. O maciço ouro tornou-se opaco, um vácuo criado em um instante passado desmoronou os alicerces desgastados.
Vultos corriam em impensada agonia, lajes caiam sobre ricas especiarias, as ironias desapareciam e as chamas consumiam, engoliam o que restava de bom, assim como todo mal daquela ilha.
Abriu-se a terra como uma cratera sem fim, fluindo desta elementos vitais ... vitrais moviam-se alternadamente, murais de imagens sensoriais clamavam por paz; mortais procuram o cais.
Rolou uma enorme rocha por sobre a face da terra, surgiu a sombra do abutre ilustre ... embuste!
Nada restou daquela podre vida. As avenidas em sangue jaziam, as moradias de ricas famílias já não mais existiam. A riqueza foi exposta à pobreza e o humano tornou-se parte da natureza.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Traça
Os prédios me olham com seu olhar sinistro, corro, fujo, não existo ... não desisto do meu intimo, procuro os bruxos no infinito.
Esquisito me sinto, extinto me acho nos plenos atos do existir; extorquir palavras pouco letradas, faces lavadas. Ouço o instinto a me dizer algo, alguma coisa sem sentido, algum mito destemido; fui rei e agora sou bandido, estou banido dos tempos terrestres, dos templos campestres.
Nesta estreita rua não passam dois indivíduos, serão dois e nenhum caminho, nenhum desvio. Meus cílios se colam no enxergar restrito, as veias abertas consomem a matéria, obstruem a artéria, mais inércia. Falo e reflito sobre os gritos aflitos, vultos tranquilos, espíritos.
Sou um insano sem vida criando textos não explícitos, um gigante adormecido, envaidecido. Transformei o fogo em fogo, a água em água, não acrescentei nada, não modifiquei nada. Passam lentas as horas sobre as bordas de minha memória, sobre as orlas da história; queixo-me ao vento pois ele não pode escutar-me, não pode ajudar-me. Destravo as portas da ilusão e sou jogado nas garras lúcidas de várias paixões ... vejo uma procissão carregando falsos ídolos, protegendo fartos pudores, odores de cheiro maldito, fedores bíblicos.
Mais sabe a traça de livro, pois ela devora as palavras, enquanto nós tentamos guarda-las, tranca-las nos porões de nossa mente, espaços do inconsciente; para nós elas de nada valem por não serem usadas, são simplesmente arquivadas.
14.nov.89
Esquisito me sinto, extinto me acho nos plenos atos do existir; extorquir palavras pouco letradas, faces lavadas. Ouço o instinto a me dizer algo, alguma coisa sem sentido, algum mito destemido; fui rei e agora sou bandido, estou banido dos tempos terrestres, dos templos campestres.
Nesta estreita rua não passam dois indivíduos, serão dois e nenhum caminho, nenhum desvio. Meus cílios se colam no enxergar restrito, as veias abertas consomem a matéria, obstruem a artéria, mais inércia. Falo e reflito sobre os gritos aflitos, vultos tranquilos, espíritos.
Sou um insano sem vida criando textos não explícitos, um gigante adormecido, envaidecido. Transformei o fogo em fogo, a água em água, não acrescentei nada, não modifiquei nada. Passam lentas as horas sobre as bordas de minha memória, sobre as orlas da história; queixo-me ao vento pois ele não pode escutar-me, não pode ajudar-me. Destravo as portas da ilusão e sou jogado nas garras lúcidas de várias paixões ... vejo uma procissão carregando falsos ídolos, protegendo fartos pudores, odores de cheiro maldito, fedores bíblicos.
Mais sabe a traça de livro, pois ela devora as palavras, enquanto nós tentamos guarda-las, tranca-las nos porões de nossa mente, espaços do inconsciente; para nós elas de nada valem por não serem usadas, são simplesmente arquivadas.
14.nov.89
Inquietude!!!
A suprema inquietude desliza pelos nuances do cérebro, desfila por entre dias austeros; brilho de um sorrir eterno.
Mero acaso, é o caso de nossa subexistência, dessa tola sonolência que nos carrega à displicência ... coerência fantasma assombrando o ser humano, concorrência nefasta sugando seres insanos ... anos e mais anos; planos e mais planos; enganos sobrepondo enganos. Somos todos um grande sonho, pois nada nos faz acordar deste pesado sono ... pesado fardo posto em vários ombros, escombros da esperança.
Vejam o que fizeram com a grana! Tornaram-na mais forte que a raça humana, tem ela o gosto da vingança.
Uma aliança militar. Países fora do lugar. Lutar por uma causa injusta, morrer pelo negro óleo, cozinhar miolos num mar de olhos.
Nossos esforços escoam para o esgoto aberto, para o lixo subalterno, para o subúrbio deste planeta estéril.
Ar-ar, terra-terra, mar-mar; mais uma semente a desidratar, mais um sol poente que se faz ausente ... gente que finge ser decente, um doente com aspecto de sobrevivente; um sexto sentido inibindo o destino.
Mero acaso, é o caso de nossa subexistência, dessa tola sonolência que nos carrega à displicência ... coerência fantasma assombrando o ser humano, concorrência nefasta sugando seres insanos ... anos e mais anos; planos e mais planos; enganos sobrepondo enganos. Somos todos um grande sonho, pois nada nos faz acordar deste pesado sono ... pesado fardo posto em vários ombros, escombros da esperança.
Vejam o que fizeram com a grana! Tornaram-na mais forte que a raça humana, tem ela o gosto da vingança.
Uma aliança militar. Países fora do lugar. Lutar por uma causa injusta, morrer pelo negro óleo, cozinhar miolos num mar de olhos.
Nossos esforços escoam para o esgoto aberto, para o lixo subalterno, para o subúrbio deste planeta estéril.
Ar-ar, terra-terra, mar-mar; mais uma semente a desidratar, mais um sol poente que se faz ausente ... gente que finge ser decente, um doente com aspecto de sobrevivente; um sexto sentido inibindo o destino.
Vazio
Verdade, o extrato de uma fera, uma era de guerra, quem me dera ter nas mãos os segredos da vida eterna; em plena terra tive a chance de olhar por entre as pedras, pelo vão de tuas pernas.
Meus nervos já não mais sucumbem aos gritos de minhas buscas; em minhas lutas não mais existo nos termos de tua figura, não mais persisto em olhar velhas gravuras.
Foi na rua por onde o sangue escorreu, um deus desfaleceu, que tive diante dos olhos o olhar de mais adiante, um enxergar mais distante vendo as musas em uma estante.
A magia tomando conta do ser, modificando seu permanecer, transportando o seu querer; sem querer magoar a tola vida foi a preguiça esmagada em uma avenida, na esquina tão esquecida, espremida entre outras tantas vias, distante da vida.
Não mais existe saída, não mais quero tuas carícias; amiga morte que sorte tenho em de não te ter dado ouvidos, não causar o suicido, não me mandar para o vazio.
Meus nervos já não mais sucumbem aos gritos de minhas buscas; em minhas lutas não mais existo nos termos de tua figura, não mais persisto em olhar velhas gravuras.
Foi na rua por onde o sangue escorreu, um deus desfaleceu, que tive diante dos olhos o olhar de mais adiante, um enxergar mais distante vendo as musas em uma estante.
A magia tomando conta do ser, modificando seu permanecer, transportando o seu querer; sem querer magoar a tola vida foi a preguiça esmagada em uma avenida, na esquina tão esquecida, espremida entre outras tantas vias, distante da vida.
Não mais existe saída, não mais quero tuas carícias; amiga morte que sorte tenho em de não te ter dado ouvidos, não causar o suicido, não me mandar para o vazio.
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