Por do sol no pontal.

Por do sol no pontal.
Sem comentários!!!!!!

sábado, 6 de junho de 2009

Mon ... entos!

Podia agora, neste momento falar da vida, da nossa existência, de nossa vivência .... nooooooooooooooooooossaa! Que pensamento mais distante,mais longe, quero mais é falar da vida, sim da vida que vivemos neste nosso dia a dia, idas e vindas de um mesmo ponto ... um sonho ... um encanto momentâneo, um romance, um lance ... ficar, simplesmente ficar, que graça há, que graça existe em ter um mero encontro corporal, apenas um momento sexual ... de fato bom, muito bom! mas pensemos que pode existir uma forma diferente de relacionar, de relacionar-se com um outro ser, um outro existir ... sentir que a vida flui, que a vida se transmuta, que a vida se reproduz ... em vida ... em vida ... na vida que vivemos no dia a dia de nossa vida .... infinita ... maldita .... vida! Hoje pensei na minha vida, tentei lembrar o mais distante que pude,mas mesmo assim pouco consegui, apenas pequenos pedaços, pequenos restos, fragmentos ... desde sempre fragmentos, os versos, as rimas, as palavras, apenas fragmentos ... tormentos ... sentimentos ... momentos!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Seria ...

... certo, se não fosse a vida um poço de erros, um amontoado de falhas humanas a cutucar nossas cabeças, a aprisionar nossas almas!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pensamento

A substância pensamento é um algo que pode por vezes alcançar uma densidade de enormes tamanhos, mas ... em sua essência não pode ser aprisionada pelo movimento das mãos ... livre, este é o momento que exprime a liberdade dos seres ... saberes que fundem dizeres em órbitas de afazeres diários, um incógnita desarmando as maldades que fingem ser realidade ... pedra de idade lascada, cascada como uma laranja de gomos, poros de um Adão soberano ... erva não daninha fluindo como vida, como a vida de uma Eva benvinda ... menina que meus olhos refletem, remetem as loucuras de meu eu ao doce reino de nenhum deus ... plebeus ajoelhados diante de um rei encarnado pelas leis que encarceram os sentimentos, dilacerando vários elementos ... volto a pensar um pensamento denso de essência, senso que me faz vento a dançar sobre os teus mandamentos ... decência que faz o barco tornar água, emborcar ao livre canto da maré ... ponhamo-nos de pé, assim como fez o ancestral longínquo e comecemos a construir um novo social, um local onde tenhamos a nossa visão limpa e os poderes sejam postos na latrina ... dê a descarga para com a água lavar a face da terra, para que esta mesma água lave os pedestais da estátua de mármore ... árvore que nasce tendo como semente os germes da rebeldia ... dia de brilho da raça humana, que soberana plana em voo sereno e pleno, na essência, na liberdade e nos pensamentos.

quinta-feira, 26 de março de 2009

sem título

Um olhar,
Um amar.
Um sentimento distante a invadir uma alma errante,
um vácuo constante expandindo os limites do inconstante ...
inconsciente torna-se a mente,
os entes são tolos sobreviventes.
Extintos espíritos sobrevoam vales de lixo,
expertos abutres a fresca carne de nossa juventude,
talvez Deus nos ajude,
quem sabe meus temores sejam virtudes.

Figura.

O silêncio ecoa pelos muros de cimento trazendo à tona as lembranças do esquecimento, do sofrimento imposto aos tantos seres submissos, aos tantos fregueses do carrasco ... asco, casco de cavalgaduras, armaduras de um guerreiro que enfrentando os monstros de lata tem nas mãos apenas o seu coração ... uma canção lembrando-me a tua visão, não sei qual a música só me contento diante tua figura.
s.d.

Robinsons

Somos os Robinsons presos na modernidade dos nossos dias, nas ilhas privadas das residências cercadas por muros, grades e imensa individualidade.
Naufragamos em um mar de ambiguidades, um certo ar de fragilidade que desvanece os sentimentos de liberdade, que enfraquece a comum verdade, entorpece a mente refletindo parâmetros das classes hábeis ... faces maleavéis a incorporarem máscaras e pinturas laváveis ... se desfazem os sonhos na labuta tributada, na impura lealdade dos homens, na escura tonalidade das vestes magistrais ... papais ... patriarcais.
Mas pensando com maior clareza, temos mais a putrefa silhueta do servo de todas as feiras, que salvos da morte eminente curvam-se aos pés dos senhores sem ventre, incorporando mandamentos ausentes, intensificando a mais valiosa riqueza, mas perdendo-se na mais intensa pobreza ... a realeza sorri diante a nossa ingénua e dócil presença, frente a nossa sempre pronta presteza ... pois perpetuamos os poderes de nossos amos em troca de um bocado de pão e pano, um trocado mal dado que mal consegue alimentar e vestir os corpos aprisionados.
Por fim, nos vejo mais como escravos enclausurados em um novo espetáculo ... espaços não tomados, seres dilacerados a buscar partes de si mesmos na praticidade de uma cidade, urbanidade cerceada da vida, humanidade escondida em uma pilha de gente sem dente, que numa trilha infinita busca os remédios que lhes apaguem as feridas, que lhes confortem o ser, que lhes satisfaçam o querer.
Mal sabemos a direção do sol poente, um nascente ente; que se apresente a rebeldia perdida, pois esta é a única forma de entornarmos o carro dos tempos em favor de nossos sentimentos, em favor dos que de fome estão morrendo ... pavor dos reis e seus segmentos ... tambor marcando um compasso lento ... vento soprando em um sentido contrário ... anti-horário momento remetendo-nos a desconstrução das ilhas e a formação de vertentes paradisiácas ... não bíblicas ... não tisicas ... não míticas.
Basta desta sonolência secular, destas castas regulares ... falta de verdades, que dominam nossos filhos, que perpetuam sacrifícios, ofícios e princípios geradores de principicios, fomentadores de genocídios ... suicidios íntimos nos íntimos pensamentos ... libertem-se seres ausentes, plásticos viventes.
s.d.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Instante

Dedilho as teclas da vida como se fossem flores de uma manha envelhecida. Imagino árvores de pedra e pessoas de alma faminta.



Ouço as trombetas do apocalipse ... a psique ensina contorno de várias trilhas. O pré estabelecido entorna o leite de nossos filhos, levando-nos ao desespero, tentando-nos com o livre fim de um ser eterno.



Possuímo-nos de rezas, das orações sem fim. Adoramos um deus sem rosto, que com a simples onipotência de seu esboço controla tudo e a todos. Tolos seres sem pensamento, entreguem suas cabeças como se fossem ovelhas.



Centelhas faiscam meus elementos, sento-me diante um altar tentando imaginar o que por detrás ... por detrás dos sacramentos divinos, por detrás de palavras antigas que tomam forma nos sonhos de vários mortais.



Por outro instante me vejo diante uma fila de banco. Preparo-me para sacar uns poucos réis que os reis inventaram para as massas subjugar.

domingo, 22 de março de 2009

sem título

Do pouco sábio que sou percebo que não sei viver, que deixei em algum lado um retrato de meu passado, o marco de meus passos, espaço de campos vastos.

Nos tantos cantos do mundo procuro o vulto perdido, canto a música de meus ouvidos, duvido dos tolos bandidos.

Entrei em ocultos túmulos de deuses, vasculho a fundo enigmas dos seres, dos meses que circundam os labirintos da morte, os tantos signos da sorte; em portas de puro marfim penetro em templos de sagrados séculos, calados tetos escondem mistérios de infinitos elos, crimes paralelos.

Fui engolido por armadilhas feitas por inimigos, surgindo ileso diante de olhos surpreso; tentaram em vão me atingir com golpes ligeiros, agressões quase certeiras.

Em algum escrito tive as respostas ao meu pessimismo, ao entreguismo de nada querer fazer, de simplesmente deixar de ouvir a voz de meus sentimentos.
31.dez.86

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mentir

Meus olhos estão cansados, já não mais enxergo o outro lado; já não espero ser eterno. Minha mente congelou-se, meus gritos ninguém mais ouve ... o que houve? O que aconteceu com a ternura? Foi ela vencida pela amargura, ou estou só no meio da rua?

Lua, brancura, loucura! Vida estúpida a afogar minhas procuras, minhas tenras aventuras. Vejo-me diante de paredes sem portas, ordas inimigas tramam a minha derrota, mas estas não estarão presentes quando da minha vitória; quando eu finalmente vencer a glória. Não tenho trajetória, tão pouco uma história, mas gabo-me por ter um pouco de memória.

A sua hora, a nossa intensa hora.

Mentir! Mentir! Mentir! Fugir da verdade não faz ninguém sorrir, só faz o mundo triste sentir.

Largar os anos, esquecer os planos, mudar a direção da nave à deriva, repartir os ganhos com todos os humanos, se iludir com os sonhos; depois de tudo extirpar o mal que habita os homos.

Somos tolos, somos povos; somos ovulos. Temos pouco a apreender e manos ainda a ganhar, palmas diante um altar.
oct.30.90

Nunca mais!

Assumo um ar de bravo, grito a todo pulmão tudo o que não é necessário, me finjo de otário. Sento no alpendre vazio mirando um mar imaginário, um lago, um estuário.

Velejo em um barco sem velas, rumando a um abismo sincero; crio alegrias e tristezas nas pontas de uma esfera, nas guerras internas ... garras em minha matéria.

O alvoroço se espalha, o calabouço se espalha; espelham a angústia, a tristeza ... a vida presa nas palavras avessas; acesas.

Rio de mim mesmo quando olho meus tornozelos, meus desajeitos ... defeitos. Volto a recontar-me uma história, uma pobre escola carregada em uma sacola. A hora ... a hora passa sem deixar vestígios, sem os medos do destino.

O dia ... o dia arregaça as suas mangas no labutar sem sentido, no lutar por um pouco de grana; ao acordar me deito na grama. Dramas em um sisudo amanhecer, esqueço das coisas elementares e vejo páginas devorarem imagens, paisagens, felicidades.

As igualdades são utopias falidas, feridas que nunca cicatrizam; que no tempo da noite ironizam os esquemas sociais ... dilemas que nos fazem tanto mal.

Isso tudo é real, é realmente real. Pode não ser natural, mas o homem à tanto abandonou a si mesmo, que um simples adereço vale mais que as sombras esquecidas no cais ... nunca mais!
dec.07.90

Talvez exista a paz.

Talvez exista a paz, em algum lugar ... talvez exista a paz.
Atravessam os anos; todos falando.
Olhamos os campos; devastados campos.
Atravessamos os campos; devastados falando.
A tempestade enegrece a cidade, cai a chuva pesada inundando pobres moradas ... minha namorada ficou nua em uma qualquer estrada.
Para onde iremos? A quem procuraremos?
O sol se esconde diante de tantas insanidades, foge ele da verdade, da maldade ... essa nossa carruagem. Velozes estamos; rumando para a eternidade.
Nos faz falta a coragem de exigir a liberdade, de querer sem temer que estas regras se tornem leis:
Que o judiciário seja justo, que o legislativo seja o legislador e que o executivo seja o executor. A tudo isso soma-se a pureza, única forma de alcançar-mos a grandeza.
Abaixo as teses economicas, pois estas só causam a fome cronica. Lucros, lucros e mais lucros, somente isso importa aos homens mudos, aqueles que nunca aparecem por estarem ocupados à conjugar dois verbos: Eu enriqueço e tu empobreces.
feb.18.91

Olhos vendados, gritos amordaçados.

Me disseram que os meus olhos estavam vendados e meus gritos amordaçados. Não dei bola, não me importei nem um pouco com estes fatos, pois me sinto um escravo.

Serviçal de um senhor feudal andando de bicicleta sem tocar os pedais ... peidais na sala fechada, inalais o podre odor ... exalais o fedor de teu corpo ... o torpor lancará o seu sopro.

Esgoto, deposto, um posto de fronteira beira a curva do pensamento, os loucos detentos se escondem pelos becos de cimento. Uma cidade de verdade, uma cilada em meio a lápides.

Lápis de um número qualquer a desenhar um esboço de aluguel; um traje, um bordel. Todos se vestem à rigor para irem aos céus ... os réus, os reis sedentos de sofrimento querem o teu sangue a todo momento ... são vampiros, quem sabe até detritos.

Atritos e mais atritos povoam as praças e os patibulos. O carrasco ergue a navalha e a leva na direção de tuas palavras, decepando as armas de tua batalha, extirpando o suposto mal de tua raça.

A multidão silenciosa busca o brilho de uma rosa enquanto a roda de ferro esmaga os seus cerebros.
feb.19.91

Entardecer

Não serás morto pelos desejos de outros seres. Caminharás por caminhos tortos por tua própria incoerência.
A paz não se traduz nas palavras dos generais. Explodem as bombas formando crateras hediondas aonde serão enterrados os dilacerados soldados, os esfomeados recrutas levados ao sofrimento.
Horizonte extremo banhado em sangue e lamentos; os terrenos não sabem do mal e tão pouco do bem; querem a vida e para isso se ocupam diante o prazer da morte.
Uma corte em um reino vizinho, reúne-se em volta do ópio daninho. Contam piadas e dão suas risadas, depois saem por aí definindo o destino dos povos.
O equilíbrio do planeta se encontra em completa perda, o peso da decadência surge feroz rompendo as amarras, detonando as palavras. Por isso surgirão as várias medidas, os vários pesos que serão usados para o seu bel proveito.
Me aproveito de uma brecha no tempo e sigo por uma trilha que não me leva a um templo, por onde caminharei contente rumo a um doce entardecer.
mar.03.91

Que belo lugar!

Não encontrei espaço por entre os deuses de coração de aço ... decoração feita de aço, um espaço, um orgasmo. Saltei da órbita de um planeta frio, um rio sem margens de qual lembrança me da calafrios.
Fito com orgulho o meu chapéu de bruxo, um luxo a qual me dou por excluso. Incluo na ata da reunião que todos vão ... vão de mal a pior. Que a luz a cada dia fica mais fraca, que muitos se vão para a França e outros se perdem na busca da esperança.
A procura do cálice sagrado, encontrei muito sangue derramado procedente de seres que não acreditaram em sua pouca sorte. A morte abre suas asas diante o atento olhar de uma faminta águia; esta ave de rapina assemelha-se às muralhas da vida.
Em poucos instantes veremos a nossa frente o concreto e o cimento, impedindo o nosso caminhar junto ao vento ... um convento, um sacramento; labirinto sem nexo nos expondo ao complexo.
Teremos medo da chuva, pois ela não somente inundará como também furará. Estaremos com receio do sol pois este além de bronzear irá nos queimar e então pararemos de respirar, pois o ar nos ameaçará de sufocar. Que belo lugar!
mar.06.91

Enchente.

Despejo os lastros por sobre a murada da cidade, surge a imagem de nossa fragilidade. Enquanto isso a água invade, transborda os limites da tolerância, traz em seu meio pestes e outras doenças.

O cidadão perde a sua morada, ganhando em seu lugar um afluente de lama aguada. Móveis, roupas e outros afins, se vão boiando pela correnteza ... pela avareza da nobreza.
A culpa é das chuvas, das fortes chuvas que resolveram cair ... trair a inoperância dos governantes, dos farsantes eleitos pelos que padecem em seus leitos.

O voto útil torneou-se inútil, pois as balas daquele fuzil erraram a fera e foram cravar-se em várias favelas. Acendem velas para clarear as trevas, pobre luz a lutar uma perdida guerra.
Ferida não exposta à visão, fratura imposta. A pobreza não tem certeza, a riqueza se faz de dona de nossas cabeças. Como gado a caminho do matadouro, rumamos em nossa ignorância para a total submissão. Vai a massa flácida escorrendo pelo ralo das ambições, se vai a massa falida mamar nas tetas da escravidão.

Um país sem berço, um país que insiste em rezar o terço ... um quarto de despejo .... um quinto dos infernos ... um sexto sem sentido!
Feb.26.91